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Prestação de Contas OUT · 2026 · 6 min de leitura

O Brasil quer doar mais

O Brasil está em 45º no ranking mundial de doação, mas os dados mostram um país com vontade de doar e um terceiro setor movido por gente que acredita. Veja o que falta para o próximo salto.

Você acorda cedo, resolve as coisas do trabalho e, à noite, ainda responde as mensagens da OSC: a voluntária que não vai poder vir no sábado, a conta de luz da sede, a doação de alimentos que não chegou, o edital que fecha na sexta. Se essa rotina parece a sua, este texto é para você.

Talvez você já tenha ouvido que o brasileiro doa pouco. Um estudo internacional, o World Giving Report 2026, colocou o Brasil em 45º lugar entre 105 países. Mas, olhando os números com calma, a história é bem mais animadora, e tem tudo a ver com o seu dia a dia.

Você não está só

O Brasil tem 879 mil organizações da sociedade civil (OSCs) ativas, segundo o Mapa das OSCs, do Ipea. E 88% delas não têm nenhum funcionário com carteira assinada.

Ou seja: se na sua organização quem faz tudo é você, a diretoria e alguns voluntários, saiba que é assim em quase 9 de cada 10 OSCs do país. O terceiro setor brasileiro é feito de gente como você, que trabalha depois do expediente, no fim de semana e no feriado por uma causa.

E a correria não é só aqui. Em 2026, a Charities Aid Foundation (CAF), organização inglesa que faz o World Giving Report, também ouviu organizações sociais de 33 países. 67% viram aumentar o número de pessoas que procuram seus serviços. E só 26% das organizações da América do Sul se sentem preparadas para os próximos três anos.

Sabe aquela sensação de que a fila de quem precisa só cresce? Ela é real, e é do mundo inteiro.

A boa notícia: as pessoas querem ajudar

Segundo a Pesquisa Doação Brasil 2024, do IDIS, os brasileiros doaram R$ 24,3 bilhões em 2024. Em 2022, tinham sido R$ 14,8 bilhões, em valores atualizados.

O valor doado por pessoa também subiu. Imagine todos os doadores em fila, de quem doa menos para quem doa mais: quem fica bem no meio da fila doou R$ 480 no ano. Em 2022, eram R$ 300.

E quase metade dos brasileiros (48%) vê a doação como um dever de todos, e não só como um gesto de emoção. Na média do mundo, são 36%.

Em poucas palavras: tem gente querendo apoiar a sua causa.

Então por que esse dinheiro não chega até você?

Aqui está o ponto. Dos brasileiros que doaram no último ano, só 28% deram dinheiro para uma organização social. A maior parte da ajuda vai direto para pessoas conhecidas, igrejas ou ações informais.

Pense no que acontece quando alguém ouve falar da sua OSC e vai procurar no Google ou no Instagram. O doador de hoje é cuidadoso:

O doador brasileiro…Quantos
Escolhe a causa com cuidado86%
Pesquisa antes de doar83%
Já deixou de doar depois de uma notícia ruim sobre uma organização49%
Doa todo ano para as mesmas instituições49% (em 2015, eram 69%)

Se essa pessoa não encontra um site, um CNPJ, uma prestação de contas, aparece a dúvida. E a doação vai para outro lugar, mesmo que o trabalho da sua organização seja sério.

Não é falta de generosidade. É falta de confiança. E confiança se constrói.

E os recursos públicos?

Talvez você já tenha visto um edital passar e pensado: "não dá, a nossa documentação não está em dia". Você não está só nessa.

Em 2024, o governo federal repassou R$ 19,4 bilhões para OSCs. Mas esse dinheiro chegou a apenas 9.693 organizações, pouco mais de 1% do total. E quase 80% do valor ficou com as maiores, que têm 100 ou mais funcionários.

Quem tem a documentação em dia consegue disputar. Quem não tem fica de fora, mesmo fazendo um trabalho bonito como o seu.

Generosidade não depende de riqueza

Agora, o dado mais esperançoso do relatório: os países que mais doam não são os mais ricos. A Nigéria, na África, está em primeiro lugar. Lá, as pessoas doam em média 2,8% da renda. Na Europa, a média é 0,6%. No Brasil, 0,9%.

O que faz as pessoas doarem mais? Duas coisas:

  • Sentir-se parte da comunidade. Onde mais de 80% das pessoas se sentem ligadas ao lugar onde vivem, a doação média chega a 1,7% da renda. Onde menos da metade se sente assim, cai para 0,6%.
  • Confiar nas organizações. 63% das pessoas doariam mais se as organizações fossem mais transparentes sobre como usam o dinheiro.

Sabe o que isso quer dizer para você? Que a sua OSC, conhecida no bairro e perto das pessoas, já tem a parte mais difícil: o vínculo com a comunidade. O que falta é transformar esse vínculo em confiança que o doador consegue ver.

Seis passos que cabem na sua rotina

  1. Mostre as contas. Publique no site a prestação de contas, o balanço e as parcerias. É o primeiro lugar onde o doador vai olhar.
  2. Mostre os resultados. Anote quantas pessoas vocês atenderam no mês e o que mudou na vida delas. Uma foto e um número já contam muita coisa. Na pesquisa da CAF, as organizações que medem seus resultados confiam muito mais na própria capacidade de mostrar o que fazem: 76%, contra 26%.
  3. Esteja perto da comunidade. Você já faz isso. Conte para o bairro o que a OSC faz e convide as pessoas para conhecer.
  4. Cuide de quem já doa. Um áudio de agradecimento, uma foto da ação, um convite para doar todo mês. É assim que quem doou uma vez volta.
  5. Tenha mais de uma fonte de recurso. Um bazar, uma empresa da região, um edital, os doadores mensais. Se uma fonte falha, as outras seguram. Na pesquisa da CAF, 68% das organizações com várias fontes se sentem preparadas, contra 21% das demais.
  6. Deixe a casa em ordem. Estatuto, ata da diretoria, CNPJ e contabilidade em dia. É o que abre a porta dos editais e o que você mostra quando alguém pergunta se a organização é séria.

Nada disso exige ser grande. Exige estar organizado.

Você já faz a parte mais difícil

Estar lá todos os dias, para quem precisa, é a parte que ninguém pode fazer por você. A parte de cartório, estatuto, CNPJ e site não precisa tirar o seu sono.

É aí que a gente entra. Com o OSC Pronta, a Setor 3 cuida da legalização, do estatuto, dos CNAEs, da diretoria, do CNPJ e ainda faz o site da sua organização com página de transparência, a partir de R$ 3.000 em até 12x no cartão. E o valor pode ser dividido em vários cartões, para que os seus apoiadores participem desse passo com você. Em uma conversa de 30 minutos, sem compromisso, mostramos o caminho.

Fontes

  • Charities Aid Foundation (CAF). World Giving Report 2026: Donor Insights e Charity Insights. No Brasil, em parceria com o IDIS.
  • IDIS. Pesquisa Doação Brasil 2024, realizada pela Ipsos.
  • Ipea. Mapa das Organizações da Sociedade Civil e relatório "O Perfil das Organizações da Sociedade Civil no Brasil (2016-2025)".

Conferido · Setor 3 · Editorial

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